quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Paulo Kramer é perseguido pela UnB

Félix Maier

29/07/2007

Pelé era chamado de "crioulo" – e ainda é – por muitos de seus companheiros de seleção de futebol e nunca apareceu em público para reclamar de racismo.


Paulo Roberto da Costa Kramer, professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), está às voltas com um problema que só virou problema porque a onda politicamente correta da universidade onde trabalha quer que seja um problema.

No dia 24 de abril de 2006, em uma aula de Teoria Política Moderna (TPM), Paulo Kramer expôs sua opinião sobre as políticas assistenciais norte-americanas, da década de 1960, quando pronunciou uma frase infeliz: “Não adianta dar dinheiro para essa crioulada”. Um dos estudantes, Gustavo Amora, que tem pele morena mas que gosta de se apresentar como “negro”, não gostou do que ouviu. Kramer desculpou-se perante seus alunos, acrescentando: “Eu sinceramente tenho medo que essa avaliação sobre o que é preconceito ou o que não é acabe prejudicando a liberdade de expressão, direito individual dos mais importantes” (Cfr. texto de Érica Montenegro, no Correio Braziliense, de 12/07/2006). O assunto parecia superado, porém, quando em outra aula o Prof. Kramer abordou a tema “politicamente correto”, o assunto irritou Gustavo Amora e alguns colegas mestrandos de ciência política de TPM (tensão pré-mestrado). Como uma Ku Klux Klan de cor invertida – no dizer de Kramer – partiram para o confronto, pedindo o afastamento do professor, acusando-o de racista.

O caso foi parar no departamento jurídico da UnB e, em meados de julho deste ano, o professor Kramer foi condenado pelo reitor a trinta dias de suspensão, convertida em multa de R$ 1.750,00.

Antes de saber se algum ato pode ser classificado como crime de racismo, é didático conhecer a Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Nela estão listadas as ações de fato criminosas que, de modo geral, impedem ou obstruem um indivíduo de cor negra de exercer seus mais elementares direitos, como concorrer a um cargo na administração pública, ou que impedem a entrada do negro em um estabelecimento comercial, cultural, de ensino ou lazer etc. Tais delitos podem resultar em reclusão de 1 a 5 anos. Também pode configurar crime “praticar, induzir, ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional” (Art. 20) – reclusão de 2 a 5 anos.

Alguém que faça uma declaração preconceituosa, não incitando ou induzindo alguém a praticar discriminação ou preconceito, estará apenas externando sua opinião. Nesse caso, a atitude poderá ser enquadrada como uma injúria ou extrema falta de educação, nunca como um crime. Este é o caso do Prof. Kramer que os alunos morenos da UnB querem porque querem que o professor seja, ainda, condenado por racismo pelo Petistério Público.

Conheci o professor Kramer quando proferiu a palestra As elites e seu papel na História, no dia 14 de outubro de 2004, na sede do TRT da 10ª Região (Brasília), durante o 1º Curso Superior de Aperfeiçoamento de Juízes (1º CSAJ), que ocorreu de 2 de setembro a 16 de dezembro. Tive a honra, junto com outros integrantes do Instituto Liberal de Brasília, de assistir às palestras do CSAJ, como ouvinte, a convite da Drª Marli Nogueira, juíza daquele Tribunal.

Paulo Kramer é doutor em Ciência Política (IUPERJ, 1999), Mestre em Ciência Política (IUPERJ, 1985) e Bacharel em Ciências Sociais (UFRJ, 1981). É Professor-adjunto do Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais (UnB, desde 1987) e foi Professor-auxiliar e assistente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Fluminense (UFF), de 1983 a 1987. Foi coordenador do Núcleo de Documentação e pesquisador do Programa de Estudos Norte-Americanos do Instituto de Relações Internacionais da PUC/Rj, de 1984 a 1986. Paulo Kramer é também Consultor-sênior da empresa Kramer & Ornelas – Estratégias Parlamentares (Consultoria, Assessoria e Análise Política), desde 1995. (Planejamento de campanhas permanentes de senadores e deputados federais – vários Estados e partidos).

Paulo Kramer é requisitado para proferir palestras sobre a atualidade política brasileira a diversas empresas e associações, como IBM, Federação das Indústrias de Brasília, Associação Brasileira dos Transportadores de Carga (ABTC), bem como a centros universitários dos EUA, como Universidade de Miami, da Flórida e da Carolina do Norte. Com Roberto DaMatta é co-autor do livro Profissões industriais no Brasil, Editora da UnB, 2003. Também é co-autor da coletânea Da distensão à abertura (Editora da UnB, 1988); Voto é marketing… o resto é política (Loyola, São Paulo, 1992) e A atualidade de Max Weber (Editora da UnB, 2003). Foi conferencista do Fórum Empresarial Brasil (revista The Economist), palestrante na Câmara Americana de Comércio (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília). Desde 1985, publicou artigos de análise política na Gazeta Mercantil, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, Correio Brazilense, Veja, Exame, Jornal da Comunidade (DF). Autor de papers para seminários acadêmicos no País e no exterior, e de artigos e resenhas para periódicos de Ciências Sociais brasileiros e internacionais, tais como Revista de Sociologia e Política (UFPR), e Problèmes d’Amérique Latine (CNRS, Paris).

É claro que o Prof. Kramer não é racista. De origem judaica, ele é um sujeito muito inteligente e muito bem-humorado, que simplesmente está “por aqui” com essa besteira moderna criada pelas esquerdas chamada “politicamente correto”. Na palestra proferida no TRT, Kramer carregou consigo dezenas de jovens, alunos seus da UnB, para que compartilhassem com sua apresentação, que foi brilhante. Durante a palestra, pôde-se observar a grande receptividade que tinha de seus alunos que vez ou outra riam com ele quando disparava críticas irônicas contra esquerdistas em geral e petistas em particular, um mote que acompanhou toda a palestra. O Prof. Kramer é um liberal autêntico, no sentido clássico do termo. Se Kramer fosse um esquerdista defensor do modo politicamente correto de se expressar, a qual é na realidade um modo idiota de se comunicar, ele poderia chamar todo crioulo de “crioulo” que não iria acontecer absolutamente nada, como é o caso de Lula da Silva que outro dia foi aplaudido quando se referia a um amigo de infância “crioulo”, que também passava pela “ponte” que ele construía sobre valas saturadas pela enchente, faturando uns trocados pelo “pedágio” cobrado – uma aula magna sobre Ética da Malandragem.

Chamar um crioulo de “crioulo” não é racismo, no máximo um insulto, dependendo do contexto em que é feita a afirmação. No Rio de Janeiro, várias vezes fui chamado de pindirriga” (corruptela de pinho-de-riga), “branquelo azedo”, “ruço” etc. Nunca tomei a coisa como racismo, apenas como uma característica pessoal, por eu ser de fato um tanto “branquelo”. Porém, nunca afirmei que tinha “orgulho da raça branca” para os “negões” que me davam esses “apelidos”. O mesmo não se vê entre integrantes do Movimento Negro, que sempre dizem em alto e bom som que “têm orgulho de sua raça negra”. Quem veste camiseta com os dizeres “Sou 100% negro” é 150% racista. O sistema de cotas nas universidades é um pérfido esquema racista que vai de encontro à Constituição, que afirma que ninguém pode ser discriminado em razão de cor, sexo ou religião. Ingressar numa universidade tendo como mérito apenas uma dose maior de pigmentação é apenas mais um ato de pilantragem que se soma à ética da malandragem que impera nestes tempos lulanos do valerioduto e dólares na cueca. Aliás, você se consultaria com o "Dr. Cotas", aquele que pulou a janela da universidade para se fantasiar de médico, amparado pelo racista sistema de "cotas", e que conseguiu malandramente adquirir o diploma de cirurgião-cardiologista? Eu não…

O problema é a onda politicamente correta de nossos dias que tenta criminalizar uma simples palavra ao mesmo tempo em que defende o infanticídio (aborto), o terrorismo antiamericano e a destruição da Igreja Católica. O Padre Lodi está sendo processado por ter chamado uma abortista de “abortista”. Pelé era chamado de "crioulo" – e ainda é – por muitos de seus companheiros de seleção de futebol e nunca apareceu em público para reclamar de racismo.

Quem tem cara de japonês é chamado de “japa”. Quem tem cara de branquelo é chamado de “branquelo”. Nestes tempos do modo politicamente besta de pensar, só bugre não pode mais ser chamado de “bugre”, nem crioulo de “crioulo”. Por quê será?

Segundo as últimas pesquisas científicas, feitas com a decodificação do genoma humano, não existem mais as chamadas raças branca, amarela, negra e vermelha, apenas a raça humana. Assim sendo, chega de negritude júnior e branquelice sênior. Somos todos descendentes da Eva comum, “Lucy”, e ponto final.

Professor Paulo Kramer: solidarizo-me com o senhor neste momento em que alunos da UnB, em ato de massacre público, aprovado sem contestação pelo magnífico reitor Timothy Mulholland, o condena a descontar R$ 1.750,00 de seu contracheque. Só fica uma dúvida dentro de minha cabeça dura: a indenização será doada aos "crioulos" americanos a quem o senhor se referiu em sala de aula, provavelmente já mortos, ou o valor será embolsado pela esperta estudantada da UnB?

Obs.: Texto originalmente publicado em Mídia Sem Máscara (29/07/2007).