quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dias de fascismo guasca

Félix Maier

31/05/2007

O livro de 2006, Vanguarda do Atraso - Ameaças à liberdade de expressão durante o governo do PT no Rio Grande do Sul, editado pelo jornalista Diego Casagrande, apresenta a entrevista com alguns dos intelectuais gaúchos que foram processados pelo PT durante o governo de Olívio Dutra, a saber: José Barrionuevo, Hélio Gama, Denis Rosenfield, Políbio Braga, Érico Valduga, Paulo Moura, Rogério Mendelski, Gilberto Simões Pires, Jair Krischke e José Giusti Tavares.

Vejamos o prefácio do livro para conhecermos como foram esses "dias de fascismo guasca".

"Prefácio

Sim, tivemos nossos dias de fascismo guasca. Se houve na história contemporânea do Rio Grande do Sul um grupo político tão avesso e refratário a críticas, este grupo foi o que integrou e apoiou o governo petista de Olívio Dutra (1999-2002). Pressões políticas, econômicas, intimidação policial e processos judiciais foram a tônica daquele período que não deixou saudades. Em nome de um socialismo ultrapassado, crivado de idéias e ações de caráter totalitário, o grupo fez o que pôde para atropelar as liberdades. Quase conseguiu. Para tanto, contou com o conivente silêncio de setores importantes da sociedade gaúcha, do espectro econômico ao intelectual. Não contavam, entretanto, com a resistência daqueles que não professam a democracia apenas nos discursos, mas também na prática incessante de defender o direito de pensar e expressar livremente o que pensam. E estes poucos pagaram de variadas formas. Uns perdendo seus empregos. Outros, perdendo processos na Justiça. E mais alguns encarando o desapontamento com a inglória tarefa de enfrentar um Golias chamado Estado, aparelhado para lhes oferecer uma perseguição implacável.

A democracia é linda, carregada de virtudes na essência, mas não raro em regiões pouco acostumadas a ela, acaba usada por aventureiros descompromissados com seus real sentido de respeitar leis, promover o bem estar geral e, essencialmente, conviver com a divergência. Costumo chama-los de sabotadores da democracia. São pessoas que vivem da política, militam nela, sobrevivem graças a ela e valem-se da liberdade para ali adiante tentar usurpa-la. Para estes, o partido e as metas ideológicas estão acima de tudo e justificam quaisquer maldades que possam sair dessa caixinha vermelha. Os conhecidos Processos de Moscou, empoeirados pela história, parecem ter renascido aqui em dado período histórico.

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