quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Beijinho 2008!

Félix Maier

8/8/2008

Iniciou-se às 8 horas do dia 8 do mês 8 a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, ou Beijing 2008, nome original da cidade. 8/8/2008: um tipo de superstição "burguesa" que não teria vez nos tempos da Revolução Cultural, iniciada em 1966, em que estudantes radicais, brandinhdo o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung, tentaram apagar da memória chinesa sua tradição e cultura milenares.

E os chineses mostraram que não vieram para brincadeira. O primeiro impacto visto no estádio foram os 2008 tambores, de modelo milenar, rufando com um jogo de luzes magnífico, fazendo a contagem regressiva para as 8 horas local, ocasião em que começaram a ser lançados os fogos de artifício - uma criação chinesa.

Outro impacto foram as pegadas gigantes desenhadas no céu de Pequim, com fogos de artifício, em que um atleta imaginário se aproxima do palco principal, o Ninho de Pássaro, onde se desenrolou a cerimônia de abertura.

Muralha da China, rota da seda, a filosofia de Confúcio, lutas marciais, aquarelas, óperas, as várias épocas da China através de suas dinastias. As 4 grandes invenções da humanidade, feita pelos chineses: pólvora, papel, impressão e bússola. Embarcações medievais que equivaliam, em tamanho, a 10 caravelas de Colombo. Toda a milenar cultura chinesa apareceu no grandioso Ninho de Pássaro.

Imagina-se o que seria esse espetáculo se tivesse ocorrido na década de 1960: chineses vestidos com o uniforme safári de Mao, de cor cáqui, brandindo livrinhos vermelhos, perseguindo professores, artistas e todos os demais que não se sujeitassem ao jugo comunista. O que mais haveria de ser mostrado se a cerimônia ocorresse naquela época, após o desastroso planejamento econômico "Grande Salto Para a Frente", que pretendia, em uma década, igualar a China à Economia da Grã-Bretanha? Dez milhões de cadáveres?

Hoje, 8/8/2008, é dia de esquecer o passado. Esquecer a ocupação e o genocídio chinês promovido contra o Tibete, em que a quase totalidade dos mosteiros budistas foram queimados, alguns com monges dentro, ocasião em que morreram cerca de 2.000.000 de pessoas.

Hoje é dia de esquecer uma forma de canibalismo sui generis que houve na China durante a Revolução Cultural, em que vítimas do sistema tinham seus testículos cortados, assados e comidos pelos alucinados revolucionários.

Hoje é dia de esquecer todo o tétrico legado comunista, que ainda reina absoluto no país, e que ocasionou a morte de cerca de 60.000.000 de pessoas.

Hoje é dia de esquecer o trabalho semi-escravo atual na China, em que 2/3 de sua população mal consegue seu próprio sustento, mormente no meio rural. Cerca de 4.000.000 de trabalhadores tiveram que deixar às pressas a capital e voltar às suas cidades de origem, muitos dos quais não receberam sequer o salário prometido. A TV Globo, um dia desses, mostrou muitas dessas pessoas perambulando por praças e calçadas, com mochilas e algumas quinquilharias, sem dinheiro para comprar passagem, sendo literalmente açoitados por policiais. O que vale, para os dirigentes comunistas atuais, é fazer uma maquiagem olímpica para inglês ver.

Grande parte desse êxodo bíblico foi ocasionado porque a China, para diminuir a poluição do ar em Pequim, transferiu ou desativou, provisoriamente, milhares de indústrias. Outra parte desse êxodo foi ocasionado pelo fim dos trabalhos na Vila Olímpica e seus estádios, ginásios e arenas colossais.

Hoje é dia apenas de comemorar no estádio toda a filosofia de Confúcio, muito útil aos mandarins vermelhos, que ressuscitaram essa prática sócio-religiosa, já que ela prega a completa obediência. Obediência férrea ao Partido Comunista Chinês.

Hoje é dia apenas de comemorar a "nova China", que cada dia se torna mais capitalista e mais totalitária, vendendo produtos falsificados a todos os recantos do mundo, produtos esses que são, em sua maioria, feitos em um sistema de semi-escravidão, repito, em que a grande massa de trabalhadores recebe um salário ridículo e não tem direito de organizar sindicatos, para pleitear melhores salários.

Todos os países do mundo, hoje, estão fazendo comércio com a China. Ninguém quer ficar fora dessa festa do dinheiro, não importa a que preço. Os EUA, que promoveram uma guerra de "libertação do Iraque", também fazem questão de participar da festa chinesa e são seu maior parceiro comercial. Bush, de vez em quando, fala em falta de direitos humanos na China, convida o Dalai Lama para uma visita à Casa Branca. Os dirigentes chineses dizem que os problemas da China competem apenas aos chineses. Pura encenação do presidente americano. Se é para promover a democracia, por que Bush não inicia uma guerra de libertação do Tibete?

O que importa, no momento, para nós brasileiros, é torcer pelo sucesso dos nossos atletas. Torcer pelo futebol, pelo vôlei, pelo vôlei de praia, pela natação, pela ginástica e pelo atletismo, modalidades em que temos as maiores chances de sucesso.

Com ou sem bandeira brasileira na janela, o que importa, no momento, é levantarmos mais cedo nestas duas semanas para torcer pelo Brasil. Que nossos atletas tragam muitas medalhas!

Beijing 2008!

Rio 2016?