segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ainda há juízes em Berlim?

Félix Maier

29/08/2007

No dia 27/08/2007, o ministro do STF, Joaquim Barbosa, relator do "processo do mensalão", aceitou, junto com seus pares, denúncia contra o núcleo da "quadrilha" petista, no dizer do Procurador-Geral da República: Dirceu, Delúbio e Genoino escaparam da primeira peneirada (acusação de peculato), porém agora se tornaram réus, acusados do crime de corrupção ativa. No dia 28/08, o STF acatou outras acusações de corrupção ativa contra a tróica petista, e, principalmente, a acusação de "formação de quadrilha", mostrando uma coerência que há muito tempo não se via na Alta Corte. Ao fim desse trabalho preliminar do STF, todos os "40 ladrões" denunciados pelo Procurador-Geral tornaram-se réus.

Graças a Deus, ainda resta alguma esperança no Brasil. Com certeza, ouviremos muitas vezes a célebre frase: "Ainda há juízes em Berlim!"

A história se refere a um conto de François Andrieux, O Moleiro de Sans-Souci. Corria o ano de 1745. Frederico II, o déspota esclarecido da Prússia, havia construído um novo palácio. Ao chegar na sacada, observou que um moinho atrapalhava a linda paisagem que tinha em frente. O soberano mandou chamar o moleiro e pediu que vendesse o moinho, que seria demolido. O moleiro negou o pedido e, confiando na Justiça, exclamou:

- Ainda há juízes em Berlim!

Conta-se que o moinho permanece em pé até hoje. Se é verdadeira a história ou não, não importa. O que importa é que o déspota, pelo menos, era esclarecido o bastante para respeitar a lei.

A sociedade brasileira espera que na época do julgamento dos acusados, "Berlim" ainda esteja "livre", não "sitiada" pelo Partido dos Trabalhadores, o qual deseja implantar o "socialismo petista" no Brasil, em um terceiro mandato de Lula, o "Rei Encoberto", esperado pelos milenaristas da Peste Vermelha, como prega a doutrina preparatória do 3º Congresso do PT, acessível no endereço VNPjm0qfByc">http://www.youtube.com/watch?v>VNPjm0qfByc.

Parabéns, Procurador-Geral da República! Parabéns, ministro Joaquim Barbosa! Parabéns, ministros do STF! Ainda há juízes em Brasília!

Porém, ainda não dá para cantar o Aleluia de Haendel com o indiciamento da "quadrilha" dos "40 ladrões". Nenhum "mensaleiro" foi condenado, apenas foram acatados pelo STF os processos movidos pelo Procurador-Geral.

O bom da história é que todos os "40 ladrões" vão responder a processo, tornaram-se réus. O ruim é que o verdadeiro chefe, o maior beneficiado do esquema criminoso, o Ali Babaca, aquele que finge que não sabe de nada, não completou a lista do Procurador [Cfr. http://www.escandalodomensalao.com.br/].

Porém, todos podem estar certos de que o governo petista de Lula não irá ficar de braços cruzados, aceitando que seus diletos amigos sejam eletrocutados na cadeira elétrica da moralidade, sem mais nem menos. A pressão contra a Alta Corte será ainda mais forte do que a que ela já vem sofrendo, por conta dos grampos feitos clandestinamente nos telefones de seus ministros, o que ocasionou a aposentadoria precoce do ministro Sepúlveda Pertence: "Divulgaram uma gravação para me constranger no momento em que fui sondado para chefiar o Ministério da Justiça, órgão ao qual a Polícia Federal está subordinada. Pode até ter sido coincidência, embora eu não acredite”. O ministro Gilmar Mendes foi claro em seu recado à polícia do "comissário do povo" petista, Tarso Genro: "A Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes" (Cfr. "A sombra do estado policial", revista Veja, 22/08/2007).

Sem falar na truculenta reação de Lula e sua troupe petista, quando forem feitos pedidos de impeachment do presidente, que com certeza ocorrerão, como já vem ameaçando fazer Roberto Jefferson, o pivô do caso do “mensalão”. Não há como desvincular a figura de Lula do esquema criminoso montado pelos petistas. Por exemplo: como explicar que não houve crime eleitoral de Lula, já que o partido do presidente concedeu a generosa “piñata” de R$ 10 milhões ao ex-PL, hoje Partido da República, para compor a chapa com José Alencar, fato descrito no livro Do golpe ao planalto por Ricardo Kotscho, o buldogue de Lula por mais de duas décadas?

Resta agora aguardar o longo processo que vem pela frente, com infindáveis chicanas dos advogados de defesa, e torcer para que pelo menos a metade desses réus seja exemplarmente punida. Porém, não dá para acreditar na frase proferida pelo ministro Marco Aurélio de Mello, ao final dos trabalhos, o qual, jogando para a platéia, como de costume, afirmou que o acolhimento das denúncias contra os acusados "revela que o sentimento de impunidade está excomungado de uma vez por todas". Não é verdade. Nada foi julgado até agora, nada foi excomungado. Excomungado, até hoje, está o STF, que nunca, em sua história, puniu um político corrupto sequer. A impunidade continua firme no Brasil como sempre esteve, especialmente por amparar, com o abominável "foro privilegiado", quadrilheiros e corruptos de toda espécie.

Será mesmo que "ainda há juízes em Berlim", quero dizer, em Brasília? Estou pagando para ver!

Enquanto isso, eu continuo a vaia iniciada no Maracanã: uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

http://www.youtube.com/watch?v=YW99KRiD5M0